Pesquisa revela que 51% dos advogados ainda não utilizam softwares jurídicos

By Juliana Monaco
12 dez 2018
Inteligência Artificial, Semantix Aijus

O Centro de Ensino e Pesquisa e Inovação (CEPI) da escola de Direito da FGV-SP realizou recentemente a pesquisa “Tecnologia, Profissões e Ensino Jurídico”, dividindo-a em duas frentes: quantitativa e qualitativa. Na primeira frente, foram entrevistados 403 escritórios de advocacia espalhados pelo Brasil e, na segunda, incluíram-se os departamentos jurídicos e as lawtechs. O objetivo do estudo foi analisar a maneira pela qual as novas tecnologias computacionais têm impactado as profissões jurídicas.

Pesquisa revela que 51% dos advogados ainda não utilizam softwares jurídicos

De acordo com a pesquisa quantitativa, a maioria (51%) dos advogados no Brasil não utilizam softwares auxiliares nas atividades jurídicas. O uso mais disseminado (44%) contempla ferramentas básicas de gestão processual ou financeira, ou até mesmo softwares comuns, como Word, Office, Evernote ou o PJE.

Em contrapartida, 60% considera muito importante o uso de softwares na área jurídica, 35% considera importante e 5%, pouco importante. Para 65% dos entrevistados, o impacto da tecnologia na área jurídica já está ocorrendo, resultando em maior produtividade e melhor organização no exercício da atividade jurídica. No entanto, a maioria não conhece softwares com funcionalidades avançadas, demonstrando que há um amplo espaço para implementar novas tecnologias computacionais associadas à Inteligência Artificial.

Qual é o impacto do uso de softwares nas profissões jurídicas?

Ainda que o uso de tecnologias se concentre em ferramentas de gestão, como sistemas de automação, ele já está impactando diretamente a forma como os profissionais exercem suas atividades. Entretanto, a substituição de cargos jurídicos por softwares ocorre, principalmente, em cargos de hierarquia mais baixa, como estagiários e advogados juniores. Esses profissionais serão afetados não só pela mudança no tipo de atividades que precisarão realizar, mas também pelo conjunto de habilidades que lhes serão exigidos.

Além disso, profissionais de outras áreas, como programadores, estatísticos e cientistas políticos, têm sido contratados para compor equipes em escritórios de advocacia e departamentos jurídicos de grandes empresas. Isso porque eles contribuem com maior produtividade (devido às habilidades que o profissional jurídico não possui) e capacidade de inovar.

Veja também: Advocacia 4.0: como a quarta revolução industrial impacta a área jurídica

Como se preparar para as transformações na área?

A preparação para a inovação tecnológica na área jurídica envolve, principalmente, estar atento e receptivo em relação às tendências do mercado. Os profissionais devem trabalhar em equipes diversificadas e multidisciplinares (de diferentes áreas) e repensar a estrutura das organizações jurídicas, de modo que adotem e implementem as novas tecnologias.

É fundamental a construção de uma linguagem unificada entre o setor jurídico e o de TI a fim de facilitar a comunicação e possibilitar a obtenção de insights. Essa função também pode ser desempenhada por profissionais que entendam das duas linguagens, aumentando a demanda por juristas que saibam transitar entre outras áreas do conhecimento.

Somando-se a isso, o mercado exige cada vez mais que esses profissionais desenvolvam habilidades de leitura e interpretação de dados. Assim, é possível aprimorar a tomada de decisões e criar soluções estratégicas para resolver questões complexas.